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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Segurança nas pistas.

TCM - 18/10/2011.
Postado por: Luciano Poeys - TCM.


Veja os itens de segurança que devem ser seguidos nas competições off-road 
Redação MotoX.com.br - Malu Souza / Maurício Arruda - Foto: Maurício Arruda / Arquivo MotoX



Série de regras devem ser seguidas para garantir segurança nas pistas

O motocross pode ser considerado por muitas pessoas um esporte perigoso, porém, se realizado dentro dos padrões e com as corretas condições, trata-se de uma modalidade desportiva como muitas outras, um esporte radical de risco controlado. No entanto, se for praticado fora dos padrões e regras de segurança estabelecidas, assim como qualquer outra modalidade esportiva, o motocross terá seus riscos amplificados. 

Por conta do maior número de acidentes dos últimos tempos, o assunto segurança nas pistas está mais do que nunca em evidência. Cada vez mais provas são realizadas em nosso país. Competições regionais surgem em grande número e a pergunta que fica é: como estes eventos estão sendo realizados? Eles seguem os padrões necessários para garantir a segurança dos pilotos e até mesmo do público presente?

Tornar todos os eventos motociclísticos seguros é um desafio gigantesco para um país de proporções maiores ainda, mas que com o comprometimento de todos os envolvidos no esporte, especialmente dos próprios pilotos, que podem fazer o trabalho de fiscalizadores dos eventos, é possível. 

Levando todos esses fatores em consideração, conversamos com Marlon Olsen, diretor técnico da Associação Brasileira de Pilotos de Motociclismo Esportivo (ABPMX), que relacionou aos pilotos e promotores de provas de motocross e supercross as recomendações que devem ser seguidas nos eventos fora de estrada. 

"Enumeramos os principais pontos que devem ser verificados e fiscalizados pelos pilotos e promotores na realização de provas de motocross e supercross, lembrando que toda prova deve ter a supervisão e homologação de uma entidade esportiva responsável pela modalidade, devidamente regularizada e legalmente constituída, que é obrigada a ter uma pessoa com conhecimento técnico para fiscalizar o evento, no caso de emitir o respectivo alvará de prova", explica Olsen.

Principais itens a serem fiscalizados:


1) Saber se o projeto do motódromo e a construção do circuito foi feito por um profissional da área (prevendo comprimento mínimo, drenagem, área de público, boxes, cercas, secretaria, estacionamento, traçado circuito, área de largada, entrada do circuito, pit stop, pista de rolamento externa para ambulância e pessoal de serviço). 

2) Verificar as cercas de isolamento da pista e público, que devem ser em tela metálica ou arame liso (mínimo cinco fios) com palanques (mínimo 1,5m) que devem estar fixados para o lado de fora do circuito e no mínimo com seis metros de distância do traçado da pista. 

3) Se a pista tem a largura mínima necessária (seis a oito metros), se os obstáculos estão com a angulação dentro dos padrões de segurança, e se estão com o mesmo padrão de acabamento de um lado ao outro do salto. 

4) Se a prova dispõe de uma UTI Móvel, equipada com todos os equipamentos necessários para realizar intervenções como traqueotomia, entubação, desfibrilador cardíaco, imobilizações de coluna, membros superiores e inferiores, se possui médico responsável e equipe de socorristas. 

5) Se a prova conta com uma equipe de maqueiros e se o hospital local foi avisado sobre o evento (para um rápido atendimento em caso de acidentes). Se o hospital mais próximo for longe da pista, é necessário que se tenha mais uma UTI Móvel equipada no evento. 

6) Verificar se os sinalizadores (bandeirinhas), estão em número suficiente, se estão devidamente orientados e treinados por uma pessoa responsável pela sinalização. Se são maiores de 18 anos e se estão na pista em local seguro, fora da área de escape das motos. 

7) Se existem máquinas à disposição para manutenção da pista durante o evento, e quem é a pessoa responsável pelo trabalho. É necessário no mínimo uma carregadeira, grades e caminhões de água à disposição durante todo o evento. Quanto maior e mais seca a pista, maior o número de caminhões de água para mantê-la úmida. Nunca molhar demais em cima das áreas duras e na entrada e na recepção dos saltos.

"Com o comprometimento de todos os pilotos, fiscalizando as provas realizadas pelo Brasil, conseguiremos evitar muitos acidentes e minimizar o risco que envolve o nosso esporte. No site da ABPMX, temos a disposição os relatórios de algumas etapas dos Campeonatos Brasileiros de Motocross, que podem ser tomados como exemplo para fiscalização das provas. Qualquer problema ou denúncia de negligência por parte dos organizadores de provas, os pilotos podem encaminhar ao e-mailabpmx@abpmx.com.br, que buscaremos tomar as providências legais necessárias", explica o diretor técnico da ABPMX.

Primeira reunião da Comissão de Motocross e Supercross da CBM

"Informamos a todos os pilotos, que a ABPMX é integrante da Comissão de Motocross e Supercross da CBM, que têm como objetivo nortear todos os trabalhos e ações da entidade em relação a essas modalidades. A posse e primeira reunião da nova comissão será realizada em Nova Alvorada do Sul (MS), durante a realização da etapa do Campeonato Brasileiro de Motocross. Dessa forma, a ABPMX solicita a todos os pilotos, que enviem as suas sugestões sobre essas modalidades, inclusive sobre possíveis alterações no regulamento das mesmas. As sugestões devem ser enviadas para o e-mailabpmx@abpmx.com.br".

Swian Zanoni

"A ABPMX - Associação Brasileira de Pilotos de Motociclismo Esportivo, expressa os seus mais sinceros sentimentos aos amigos e familiares do piloto Swian Zanoni, que nos deixou precocemente de maneira tão trágica, deixando uma lacuna em nosso esporte que jamais será preenchida. Swian não representava apenas o nosso país no Mundial de Motocross, representava a esperança e a paixão de um país pelo motociclismo, e a prova de que sonhos existem para serem realizados. 

Com humildade, trabalho, perseverança e muita fé em Deus, esse menino que iniciou cedo no esporte, se tornou um dos melhores pilotos de motocross do mundo, mostrando como é possível chegar a essa posição fazendo amigos, sem passar por cima de tudo e de todos. Onde quer que ele esteja, com certeza estará olhando pelos seus familiars e pelo esporte que tanto amou e se dedicou". 

Marlon Olsen - Diretor Técnico ABPMX - marlonolsen@hotmail.com  

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

SITE MOTOX: DICAS PARA CONSTRUÇÃO DE PISTAS DE MOTOCROSS

TCM - 10/02/2011.

Dicas para Construção de Pistas - Parte 1
Redação MotoX.com.br - Por Fernandão Dal Mas - Fotos: Maurício Arruda

Aproveitar desníveis do terreno é muito importante.

Pistas de motocross ou supercross são sempre polêmicas. Todas têm elogios e críticas. Geralmente tem a ver com o desempenho do piloto em cada uma delas. Ou seja, se andou bem, é boa, se andou mal, é ruim. Mas é bem verdade que assim como pilotos, também existem pistas boas e ruins.

Máquinas devem apenas marcar o traçado, sem escavar o chão

Particularmente acho que a pior pista é aquela que não oferece segurança ao piloto, que não aceita erros e é cheia de quinas e ângulos menores que a moto. Isso é terrível e ocorre normalmente por economia de terra ou máquinas. Um piloto consciente não deve aceitar correr sem segurança. Por isso, vamos ensinar nessa coluna tudo detalhadamente na tentativa de melhorar o nível das pistas no Brasil e também ajudar os pilotos a ler melhor uma pista e a tirar proveito técnico disso.

Nota importante: às vezes falta terra, maquinário ou até mesmo espaço. Em qualquer um dos casos, nunca sacrifique a largura da pista e dos obstáculos. A solução é diminuir a quantidade de obstáculos ou o comprimento do traçado. Mas o que fizer, faça bem feito, com largura e segurança. Deixe para aumentar a pista quando houver nova oportunidade. Lembre-se: pista segura, todos poderão andar, pista perigosa, só alguns.

Escolha do traçado - Parte 1

O traçado é a alma da pista. Se o traçado for bom, a pista é competitiva. Lembre-se que a maior parte das ultrapassagens é nas curvas. Os saltos podem ser variados, porém o traçado é a base.

Existem pontos vitais na escolha do traçado, veja quais:

- Terreno (local da construção): se o terreno for desnivelado, procure fazer a pista com subidas e descidas. Isso facilita muito, pois elas ajudam na construção de obstáculos e você pode economizar transporte de terra ao escavar nas laterais e entre o traçado. Além disso, facilita na hora de tirar a água da pista.

Durante a construção é preciso pensar na logística da pista

Não cave buracos fundos e sim faça um rebaixamento do terreno lateral da pista, jogando a terra nos lugares dos obstáculos e paredes de curvas. Se o terreno for em área plana, a terra dos obstáculos e paredes terão que ser transportadas de outro lugar. Nunca escave, pois isso pode resultar em lagoas no lugar.
- Sol: procure olhar a posição do sol, largada e grandes pulos contra o sol não são bons.

A primeira curva deve ser longa, para que todos entrem na mesma balada

- Posicionamento e logística: pense na logística da pista. Por exemplo: o box deve ser próximo a largada. A área para público deve estar posicionada em lugar privilegiado de visão, se possível que se veja todo o circuito. As cercas devem ser bem posicionadas, fortes, capazes de suportar a euforia do público e principalmente ter livre tráfego para resgate. Para ambulâncias, máquinas e carros, o ideal é uma estrada que dê a volta no circuito por fora da pista e por dentro da cerca. Serve também como área de escape e limpeza. Lembre-se sempre da galera do meio ambiente.

Limpe a área, e se você quiser economizar, use o material para os grandes obstáculos. Nesse caso amontoe os entulhos e sujeira de forma longitudinal ao terreno, para que depois que o traçado estiver pronto, você possa usar para fazer mesas e cobrir com uma boa camada de terra. Nota: cuidado com ferros e pedras, isso não é bom.

- Escolha do traçado: não escave o traçado, apenas marque com a máquina. Procure não fazer nada menos estreito do que seis metros. Lembre-se que motos derrapando ocupam um espaço de aproximadamente nove metros.
Faça primeiro a largada (nunca descendo). A primeira curva deve ser longa, para que todos entrem na mesma balada.

A segunda curva deve ser um cotovelo ideal para definir as posições, a fim de que as motos não entrem emboladas nos obstáculos. Se a primeira curva não puder ser longa, deverá ser feito um paredão, tipo concha (aguarde próxima matéria). O resto do traçado deve conter variações de retas e curvas de alta, média e baixa velocidade. No caso do Supercross, uma só curva após a largada e de alta velocidade. O restante de média e baixa velocidade. Nota: aquelas curvas tipo S, não são legais, pois não possuem opção de ultrapassagem. Melhores são as curvas tipo 45º, 90º e 180º. Deixe os obstáculos por último para dimensionar velocidade e distância.


Fernandão Dal Mas, foi piloto de motocross durante 16 anos, construiu as pistas do Campeonato Brasileiro pelo período de 10 anos, possui domínio operacional dos equipamentos de terraplanagem e realizou a construção da pista de motocross do campo de provas da Honda Manaus.