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sábado, 12 de dezembro de 2009

Teste Yamaha WR250F Felipe Zanol.

Brasileiro conquistou o bicampeonato português de enduro com o modelo
Redação MotoX.com.br - Texto: Maurício Arruda - Fotos: Lucídio Arruda - Piloto: Maurício Arruda


Yamaha WR250F Felipe Zanol - foto: Idário Café


Assista ao vídeo na MotoX TV


















A história de sucesso do mineiro Felipe Zanol no esporte ganhou novos parâmetros nos dois últimos anos. Isto porque, após conquistar o pentacampeonato brasileiro de enduro, o atleta partiu em busca de novos desafios que se transformaram numa promissora carreira internacional. A conquista logo de cara de dois títulos absolutos no Campeonato Português de Enduro expuseram o talento do brasileiro, mas não só isso, também o trabalho eficiente e preciso realizado com a equipe CRN Motofundador, sua base na Europa.

Além disso Zanol encarou os duros caminhos do Mundial de Enduro e saiu-se muito bem, terminando a temporada 2009 na classe E1 com uma honrosa e inédita 7ª colocação. As conquistas do brasileiro foram a bordo de uma Yamaha WR 250, modelo que o piloto trouxe temporariamente ao Brasil e aproveitamos para experimentar. A motocicleta que veio ao país é rigorosamente a mesma utilizada por Zanol em Portugal, com praticamente todas alterações realizadas por sua equipe. A excessão é o amortecedor de direção, acessório utilizado nas provas do velho continente, mas que não equipava a motocicleta na ocasião de nossa avaliação.

Modificações



Dócil nos sufocos e...
Experimentar a moto de um campeão é sempre um privilégio. Todos os detalhes recebem 100% de atenção e para atender as exigências, tanto dos pilotos profissionais, como das competições, absolutamente tudo tem que estar em perfeito estado e funcionamento.

As mudanças são fartas, uma grande lista que exige um investimento considerável, seja no Brasil ou na Europa. O motor ganhou um pistão de alta compressão e teve comandos e molas de válvulas trocados em busca de mais potência. O CDI original deu lugar a um da marca Vortex, retrabalhado pelo preparador Jaime Rodriguez, da Pro Tech do Rio de Janeiro, e o carburador recebeu várias novas peças: injetor, giclês e agulha foram substituídos.

Algumas alterações buscaram a redução de peso. A partida elétrica foi retirada e o tanque de gasolina da YZF (de menor capacidade, portanto menos volumoso) entrou no lugar do original. A suspensão dianteira (também de YZF), com câmara dupla e tratamento para menor atrito, foi outro componente substituido pelo do modelo cross além de ganhar vávulas da Race Tech. O mesmo trabalho foi feito na traseira.


...agressiva em campo aberto. O ajuste do motor surpreendeu pela disposição numa ampla faixa de rotações.

A embreagem é Hinson, mais reforçada, assim como o guidão WRP. O conjunto plástico é da Race Tech, não só os pára-lamas e laterais, mas também o protetor de mão, porta placas, carenagem de farol e punhos (acelerador e comando de farol). Nas competições européias são utilizados pneus ecológicos da Pirelli, com mousses no lugar das câmaras. No dia do teste os pneus que equipavam a moto eram da linha cross comum, com câmara.

Um disco de 270mm e o cabo de malha de aço são as mudanças nos freios que se restringem à dianteira. O banco também passou por modificações ganhando um degrau, segundo o próprio Zanol "para ajudar no posicionamento e nas corridas de lama". Finalizando, o conjunto de escape deu lugar a um da marca Leo Vince.

Como se vê as mudanças não são poucas, mas também não há nada de tão exótico ou inacessível aos comuns mortais. A grande diferença é que o equipamento é substituido bem antes do seu limite de uso. O motor é substituido a cada duas etapas e a própria moto não chega a fazer muitas provas. Antes que os desgastes se tornem aparentes ela dá lugar a uma nova, zero quilômetro.

Pilotando



Tanto na trilha como...
A primeira vantagem em andar na motocicleta de um campeão é o ajuste dos comandos. Os grandes pilotos sabem a diferença de uma moto bem ajustada nos pequenos detalhes, antes mesmo de o motor funcionar. Por isso não sinto nenhuma dificuldade no primeiro contato com a motocicleta. A adaptação é rápida e fico confortável na WR, com manetes, guidão e pedais bem posicionados, e todos os comandos respondendo com precisão.

O conforto também vem do ajuste do motor, incrivelmente robusto, com fôlego e torque em todas faixas de giro. A partida elétrica não faz falta nenhuma. O motor pega fácil, sempre na primeira pedalada e sem muito esforço. Quente ou frio, que maravilha! Posso assegurar que foi a motocicleta de competição 4 tempos mais fácil de ligar que já experimentei.

Funcionando o motor impressiona pela faixa de giros bem elástica. Dócil permite enfentar obstáculos praticamente em marcha lenta, mas quando se precisa de velocidade ele não decepciona em altos giros. O mais legal é que não há buracos ou corpo mole na entrega de potência em nenhuma faixa de rotações.



...na pista de motocross o comportamento da WR foi excepcional.

A WR do Zanol vai bem em uma pista de motocross ou em uma trilha travada. Respostas ao menor giro do acelerador me fazem pensar em como o modelo é divertido e competitivo, sim porquê não basta existir força em uma faixa restrita, que dificulta o trabalho do piloto e acusa isso no cronômetro após horas de prova. O motor surpreendeu pela elasticidade e condução agradável, que repercutem em eficiência. Não é difícil entender porquê obteve tanto sucesso nas mãos do brasileiro.

O ajuste das suspensões também surpreende. Enquanto estive na trilha gostei do comportamento global da moto e não esperava sentir o mesmo quando passei pra pista de motocross, mas me enganei... Ela não decepcionou no percurso mais aberto e o melhor de tudo: as suspensões se comportaram com perfeição inclusive na recepção dos maiores saltos. Nas curvas o comportamento dócil permite a escolha precisa das linhas.

O par de freios não tem nenhum segredo, mas utiliza a receita para uma frenagem eficiente, com disco maior e flexível tipo aeroquip apenas na frente. Atrás nenhuma mudança e nem é necessário, a moto tem o suficiente. O degrau no banco ajuda a manter uma postura mais a frente, sem relaxar no posicionamento. Essas são as grandes diferenças da WR do campeão. O conjunto ficou muito bem acertado e sob o comando de Felipe Zanol alcançou ótimos resultados.

Conclusão



Voar alto não é problema para a endureira que encara grandes saltos com precisão e segurança
O ponto que mais me chamou a atenção foi o motor. Faz bonito numa pista de motocross com grande disposição em altas rotações. Ao mesmo tempo tem um comportamento extremamente dócil e linear em baixas para enfrentar as trilhas mais travadas.

São as exigências do Mundial de Enduro que percorre uma seleção de trajetos e terrenos tão variada quanto possível. Sufocos, atoleiros, "extreme tests", especiais de alta e deslocamento. A WR250 do Felipe Zanol se sai bem em qualquer situação.

O trabalho de preparação encontrou um ponto de equilíbrio raro. Normalmente quando se privilegia os resultados em altos giros se perde em baixa e vice-versa. Neste caso o ganho não só foi em todos os giros como ampliou a faixa de utilização do motor deixando a impressão de se acelerar um motor maior que os 250cc.

É uma motocicleta que agradaria tanto a um piloto iniciante da mesma forma que atende um profissional TOP 10 do Mundial de Enduro. A equipe CRN conseguiu colocar o melhor dos dois mundos neste projeto. Não deixe de assistir ao vídeo com os comentários do próprio Felipe Zanol.


Agradecimentos: ASW Off Road Park